sábado, 4 de março de 2017

A vida segue!


Boa Noite,

Como passo normalmente um tempo razoável sem escrever postagens novas eu sempre tento participar dos comentários de vocês, e confesso que sempre me chama atenção aqueles comentários onde a pessoa se mostra desesperada por conta do Herpes. Gente eu tenho 37 anos, eu chego a ter até 03 crises de no mês, tipo as vezes eu acho que passo mais tempo em crise do que fora dela (não tenho problema com imunidade, mas meu organismo não reage bem diante do vírus e olhe que já tentei vários medicamentos para tentar inibir novas crises), sinto dor no nervo ciático, apesar disso já ter melhorado consideravelmente, eu não tenho filhos e nem casei e mesmo com todas essas questões hoje de alguma forma teto deixar minha mente equilibrada, não falo que a doença não me entristece porém não me faz mais ficar desesperada, eu tive que ”aprender” a viver com essa doença pois minha vida vai além disso.

Muita coisa mudou na minha vida após a descoberta desse diagnóstico, eu me privo de algumas coisas para evitar trazer riscos para alguém, porém eu também já fiz muitas coisas, já tive relacionamentos, gente por favor acreditem: a vida de vocês irá continuar então seria melhor vocês se aceitarem e aproveitarem o que a vida ainda tem para oferecer certo?

Como nem sempre posso dar alguma resposta imediata vou responder algumas perguntas que vocês fizeram:

1.       Estou na minha segunda crise o que eu faço?

Primeiro o que eu aconselho é que a pessoa busque orientação médica, para que juntos  possam traçar um plano de tratamento durante as crises e os cuidados quando o vírus não estiver ativo. O que funciona para um pode não funcionar para o outro, além da medicação também temos que evitar certos alimentos como aqueles ricos em Arginina, temos que evitar bebida alcoólica e cuidar principalmente do fator psicológico.

2.       A quem contar sobre a doença?

Gente esse é um assunto muito intimo, eu de amigas só contei para uma, e para alguém que me relacionei. Tipo se você acabou de conhecer alguém não precisa ir logo falando, você tem que vê se a relação irá perdurar e também saber como falar, é algo que necessita de muita confiança. Não precisa falar para colegas de trabalho e nem para a família (caso não queira), na minha casa ninguém sabe e para ser sincera não pretendo falar para eles.

3.       E minha vida sexual como fica?

Eu sempre gostei muito de sexo, apesar de algumas inibições sempre fui tranquila em relação a isso. Amava sexo oral, tanto de fazer quando receber. Depois de ter Herpes tive que me adequar. Primeiro nunca transei sem camisinha depois da doença, em nenhum momento deixo acontecer a penetração sem estar protegida, isso é para proteger a pessoa. Nesses quase dois anos só me senti pronta para receber sexo oral uma vez, e diga-se de passagem que foi ótimo, mas evito pois como tenho muitas crises não quero fazer com que meu parceiro corra riscos. Eu já comentei em algum lugar do blog também que a possibilidade de transmitirmos Herpes usando camisinha é muito pequena (eu sei que existe) então eu sou tranquila em relação a isso.
     4.    Herpes tem cura?
Infelizmente até esse momento não existe cura para Herpes, os tratamentos atuais podem nos dar mais qualidade de vida, podemos reforçar nosso sistema imunológico para evitar a  reincidência, porém não temos nada que seja definitivo sobre o assunto. Então não acreditem em tudo que existe na internet ok?


Bom, eu espero ter ajudado em alguma coisa, eu só quero que todos aqui fiquem bem e que não deixe essa doença dominar a vida pois tenho certeza que coisas boas também vão acontecer.
Maria Flor
mariaflor231@gmail.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sejam Felizes


Boa Noite,

Passei algum tempo sem escrever no Blog, mas como já disse outras vezes todos os dias entro nesse espaço e acompanho todos os comentários feitos. Um hoje me chamou atenção, pois a pessoa abordou um tema que eu já vinha pensando falar há algum tempo, ela fala do quanto o fator psicológico influência nossas vidas despois do diagnóstico de Herpes. Gente são muitos os relatos tristes, de pessoas que perderam a fé na vida, no amor, quantas pessoas já escreveram aqui mesmo que sentem “sujas”, inferiores, que a tristeza domina todos os seus pensamentos. Eu sei na pele o quanto tudo isso é complicado, eu também fiquei abalada quando me vi com Herpes no momento em que eu achava que tinha encontrado o homem da minha vida, eu sofri muitooo, porém em nenhum momento eu me senti suja, diminuída ou menos importante do que outras pessoas. O que eu sempre tive em mente é que eu também tive alguma responsabilidade em ter sido contaminada pois eu transei sem camisinha, então eu acho que mesmo sendo um relacionamento estável eu assumi essa responsabilidade, mas, apesar disso eu acho que ninguém esta acima de mim, ninguém é melhor do que eu e nem pior. Eu sei das minhas qualidades e dos meus defeitos também que não são poucos, mas eu acho que todos nós devemos nos valorizar. As vezes leio: “Eu contei ao meu namorado e ele me deixou”, acredito que se essa pessoa não continuou ao seu lado então a relação não era verdadeira, pois se meu ex-namorado tivesse me falado a verdade, tivesse proposto o uso de camisinha no inicio do namoro, eu teria aceitado numa boa, gostava demais dele para deixar de viver ao seu lado por conta dessa doença.

O que eu quero que vocês todos entendam é que vocês não são melhores e nem piores do que ninguém. Que a Herpes esta aí, é mais comum do que imaginamos, ou vocês acham que todos os portadores estão solteiros, sem filhos, trancados dentro de casa se lamentando? Eu acho sinceramente que não. Acho que existe vida pós herpes, eu mesma em dois anos já vivi muita coisa (com responsabilidade, SEMPRE com camisinha). Quero que vocês comecem a repensar sobre isso, quero que cada um seja um pouquinho mais feliz do que já são, quero que esse espaço seja útil para haver uma troca de experiências e não só um muro de lamentações.

Sei que esse assunto foge um pouco de certas temáticas, mas o fator psicológico também é primordial, o stress é um gatilho para novas crises, então acredito que se aprendermos viver e aceitar nossa condição tudo dará certo.

Um feliz 2017 para cada um de vocês, desejo realmente que cada um tenha mais saúde e paz nesse ano. Desejo do fundo do meu coração felicidade a cada leitos e que cada um consiga realizar aquele sonho que mais deseja. Obrigada por cada comentário, e-mail ou só visualização mesmo, eu não sei porque mais o blog esta sendo muito visitado por pessoas de outros países também, isso é bem legal.

Beijos e até a próxima.

Maria Flor
mariaflor231@gmail.com

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O vírus e eu!

Boa Noite,

Acho que nunca contei aqui como o vírus da Herpes tipo 2 entrou na minha vida. Tenho 37 anos, não tenho filhos, e ano passado achei ter encontrado o homem da minha vida. Foi um inicio de namoro daqueles que te fazem querer envelhecer com a pessoa. Ele tinha seus defeitos mas que se tornavam tão pequenos diante de tantas qualidades, não foi uma relação longa, mas muito intensa, aquela que a pessoa conhece sua família, fizemos viagens, sonhos, de certa forma moramos juntos (morávamos em cidades diferente mas passávamos os finais de semana juntos na casa dele), ele havia saído de uma relação prolongada e eu fui meio que sua válvula de escape naquele momento. Como a grande maioria das pessoas faz quando as relações se tornam “estáveis” não usamos camisinha nas nossas relações sexuais quando a relação passou a ter alguns meses, o fato que uma noite dessas resolvi lhe fazer uma surpresa, viajei no meio da semana para encontra-lo e como todo casal quando fomos “namorar” ele se mostrou incomodado, sentiu dor num certo momento, e quando terminamos ele me mostrou uma certa lesão no pênis, achei estranho, por ser da área da saúde, ali me acendeu aquela sensação de que havia algo errado porém talvez numa forma de me enganar, resolvi esperar e acreditar que eu estava enganada. Bom, o fato é que exatamente após 15 dias, na hora do banho eu senti uma ardência numa parte da minha vagina, ali eu tive certeza, isso era Herpes. Nos dias seguintes, senti muito mal estar, náuseas, febril, dores nas pernas, meu organismo não reconhecia aquele vírus. Procurei o infectologista e confirmamos as minhas suspeitas, na verdade todos os médicos que procurei tentaram minimizar a doença, aquela história que mais de 90% da população já tiveram algum contato com o vírus, que é mais comum do que se pensa, essas coisas que muito de nós já ouviu. Sim, voltando ao namoro, eu não tive coragem de falar assim que eu confirmei o diagnostico, e eu via o meu namorado se afastar de mim, mais frio, mais distante, e em menos de um mês da minha contaminação ele me passou um whatsapp me falando que se enganou, que não estava apaixonado por mim e que gostaria de terminar o namoro. Foi a coisa mais sofrida que já vivi, eu não sabia direito como sair do fundo do poço, eu não tive a chance de conversar pessoalmente, eu não tive a chance de falar que aquela bolinha que ele apresentou a umas semanas atrás trouxeram algo para a minha vida que a marcaria para sempre. E o estranho é que ele pouco tempo depois assumiu uma nova relação na qual está até hoje. Eu tinha tantas perguntas e eu fiquei sem nenhuma resposta. Ele nunca me pediu desculpas, ele nunca me explicou nada, isso já está com quase 01 ano e meio. Foi o termino mais difícil da minha vida. Fui para a terapia, mas como mudei de cidade por conta do trabalho acabei abandonando as sessões. Perdi o contato com ele, apaguei o numero do telefone, e há poucos dias excluí da minha rede social. Eu sempre senti como se nós devêssemos uma ultima conversa um ao outro.
E foi assim gente que a Herpes entrou na minha vida e de certa forma mudou seu ritmo para sempre. Minha relação que compartilhei com vocês e que estava com seis meses acabou. Por nenhum motivo relacionado à minha condição de saúde, acabou por outros motivos que eu não gostaria de expor aqui. Foi a primeira pessoa que eu me interessei, gostei e tenho um carinho gigante, ele me mostrou várias coisas que eu havia esquecido e me sinto agradecida pelo o que compartilhamos. Agora é dar um tempo para minha alma, mente e principalmente para o meu coração.
Fiquem bem queridos, me ajuda muito saber que vocês estão aí. Beijos em cada um.

Maria Flor

mariaflor231@gmail.com

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Obrigada!

Boa Noite,

Gostaria de agradecer hoje  a cada leitor, cada comentário, cada e-mail recebido por mim. Criei esse Blog a mais ou menos seis meses e quando ele foi criado a idéia inicial era tentar promover que pessoas com o mesmo diagnóstico, no caso Herpes, se conhecessem melhor (ainda quero isso). Hoje esse espaço serve como uma ponte entre eu e vocês em momentos de alegrias, tristezas, dúvidas também. Não sou expert no assunto, tenho inseguranças e medos também, mas vocês tornam meus dias melhores, aprendo com cada comentário, sofro com alguns emails junto com vocês, e fico extremamente contente quando vocês participam. Feliz por saber que vocês estão aí, mesmo que muitas vezes não deixem nenhum comentário, mas sei que estão aí, em alguma parte do mundo (afinal temos visitantes de muitos países). Meu muito obrigada a cada um dos 2.220 visitantes, vocês tornam minha vida melhor.

Beijo com carinho,

Maria Flor


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nem tudo é fácil

Vou confessar uma coisa a vocês, não estar sendo fácil me manter dentro de algum tipo de relação por conta de ter Herpes. Sei que já li aqui que não devemos levar tudo tão a sério, que a grande maioria das pessoas já tiveram contato com o Vírus, entre outros comentários, o meu médico mesmo já me disse uma vez que eu tinha que relaxar, que as crises tendem a diminuir com o tempo e que nosso organismo acaba sabendo se defender melhor recidivas com o passar do tempo. Sei que meu papel aqui talvez seja trazer energias mais positivas e não passar meus medos e fraquezas.
Mas particularmente acho que meu organismo nunca se acostumou com o Vírus, tenho o diagnostico a mais de 01 ano e tenho crises no mês bem recorrentes, de duas a três crises e trazendo isso para o momento que estou vivendo isso não torna as coisas nada fácies, primeiro porque de certa forma muda algumas coisas dentro da relação sexual, tipo tinha coisas que eu gostava e hoje não tenho coragem de fazer, e na verdade o que mais me martiriza é a angústia de passar isso para meu parceiro, tipo eu nunca transei sem camisinha nesse último ano, mas sempre fico muito receosa de alguma coisa acontecer, tipo da camisinha rasgar, de estar em alguma crise assintomática, dele roçar em algum local onde não há proteção, sei lá, acho que sou meio psicótica com isso.
Eu já fiz exames, meu sistema imunológico é normal, eu tomo alguns medicamentos para melhorar minha imunidade, mas eu não sou muito comprometida com a dieta, isso é verdade, e também sou bem estressada em alguns momentos, mas você ter crises atrás de crise é no mínimo desgastante, me faz querer desistir de certas coisas, me faz ter medo de ir adiante.
Por isso voltei a pensar no motivo de criação desse blog, da ideia de achar que deve ser bem mais fácil conhecer alguém com o mesmo diagnóstico, que temos muito medo de nos expor aqui quando na verdade estamos “expostos” há algo muito mais difícil que é a possibilidade de não sermos felizes.

Estava com saudade de vocês.

Maria Flor

terça-feira, 3 de maio de 2016

Uma nova experiência

Boa Noite queridos,


Nesse mês de maio faz 01 ano do meu diagnóstico de herpes genital. Quando descobri confesso que foi uma barra, por muitos motivos que não vêm ao caso, o fato é que ano passado foi um ano de muito sofrimento no âmbito pessoal, fim de um relacionamento que eu desejei que fosse para sempre, depois disso tive crises frequentes de herpes, fiz terapia com psicóloga, fiz uso de vários medicamentos para melhorar a imunidade, fui a vários médicos, foram momentos de culpa, cobranças e até um certo desespero, acho que muitos de vocês entendem o que estou falando não é?

O fato é que de depois de um ano as crises ficaram menos recorrentes, mas ainda ocorrem ao menos uma por mês, sempre no meu período menstrual, mas acreditem já foi bem pior. Sei que depois de tantas coisas e de algum tempo aconteceu algo de positivo: Conheci uma pessoa, que teoricamente não tem o vírus, falo teoricamente por saber que ele pode até ter, mas nunca ter desenvolvido. Essa é a primeira vez pós-diagnóstico que me vejo diante de uma nova relação, e vejo também o quanto é difícil lidar com isso. Eu queria muito ter conhecido alguém que também tivesse Herpes porque eu acho que facilitaria muita coisa, foi por isso que criei esse espaço, e na verdade eu continuo pensando assim, porém me sinto feliz por essa nova experiência.

Com ela pude vê que não é tão simples falar para o parceiro, como não foi. E mesmo tomando todos os cuidados, ainda me aflige muito a remota possibilidade de transmitir Herpes para alguém.

O lado bom foi que eu voltei a ter mais confiança em mim, eu acho que a Herpes muitas vezes mexe com nossa estima, com medos interiores que nos fazem acreditar que a vida pessoal irá se estagnar. Conhecer essa pessoa me fez vê que eu estava errada, mas também me mostrou que de certa forma existem coisas que mudaram para sempre.

E o mais importante foi entender que essa relação pode até acabar no entanto ela serviu para me mostrar que eu estou aqui, viva e pronta para deixar os medos do passado realmente no passado e viver meu presente com mais segurança, sozinha ou com alguém.

Quem sabe alguém queira falar aqui de alguma relação vivida depois da Herpes? Eu adoraria, fico feliz com a participação de vocês.

Beijos a todos,

 

Maria Flor

 

mariaflor231@gmail.com

sábado, 9 de abril de 2016

Saudade daqui

Boa Noite,

 
Primeiro gostaria de me justificar que passei um tempo ausente por alguns projetos que acabaram rolando nesses últimos dias, mesmo entrando diariamente no Blog para dar uma olhadinha.
Gente tenho algumas coisinhas para dividir com vocês, estive no meu médico nesses dias, e o que ele me disse é que infelizmente não há nenhuma novidade significativa nessa área da Herpes, o “engraçado” é que todos os médicos que procurei logo depois da minha primeira crise, sempre tentam minimizar a questão, acho que alguns minimizam nossas angustias até demais, não sei se isso aconteceu com vocês também, bem mais o fato é que nesse momento não há nada que a gente não saiba sobre Herpes tipo 1 e 2. Se alguém souber de alguma coisa nova e quiser compartilhar aqui será bem vindo, contanto que tenha algum embasamento sério.
Queria também que alguém falasse sobre seus relacionamentos pós-herpes, por eu não conhecer ninguém que já tenha passado pela situação de abrir o jogo com sua parceira ou parceiro, fico me perguntando como contar o parceiro de uma forma natural mas ao mesmo tempo que seja de uma forma verdadeira, ando tão insegura nesses dias, acho que as vezes até me “saboto’’ inconscientemente quando estou entrando dentro de uma possível relação, alguns medos rondando a minha cabeça, então se alguém tiver alguma coisa para compartilhar eu ficaria agradecida.
Por falar em agradecimento, obrigada por continuarem entrando no Blog, alguns me mandam e-mail, fico feliz pelas participações aqui mesmo que ainda de uma forma tímida.
E por isso tudo também não esqueçam que aqui é um espaço para interagirmos, falarmos de nossas experiências, sejam mais participativos, são tão poucos os blogs que tratam desse assunto de uma forma natural, ainda esperando formar casais a partir daqui viu.
Desejo um bom final de semana para todos, estava morrendo de saudade daqui, e que sabe o próximo tópico eu traga alguma novidade da minha vida pessoal né? Espero que o universo conspire a favor. J
Beijos,
 
Maria Flor
mariaflor231@gmail.com